WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
A Neta que Eu Amo Mais
por vovô Magno
Há olhos que me procuram,
como se soubessem mais de mim
do que eu jamais ousei dizer.
Olhos pequenos, firmes, intensos,
não desviam, não temem, não pedem licença.
Olham porque pertencem.
Há uma casa onde o tempo desacelera,
e os passos, que lá fora são pressa,
aqui viram rito.
Mas essa casa não é só feita de telhado e paredes,
é feita do instante em que existimos no mesmo espaço
e, por instantes, o mundo inteiro é somente aqui.
Nesse lugar,
um choro breve se cala diante do espelho,
como se a própria imagem dissesse:
“aqui, você está a salvo.”
E está.
Porque quando ela me vê,
não pergunta, não hesita,
apenas repousa.
Há um tipo de confiança que não se aprende:
ou se tem…
ou se nasce junto com o amor.
E aqui,
o chocolate se disfarça de queijo,
não apenas por travessura,
mas porque há gestos que viram códigos,
e códigos que viram lembranças
em quem nunca vai esquecer
o gosto de estar junto.
Dois anos depois do dia em que chegou,
ela continua sendo,
com toda convicção possível,
a neta que eu amo mais.
E isso basta para reorganizar o meu coração,
toda vez que ela sorri.
Há dias em que ela chega como se o mundo fosse dela,
e, talvez, seja.
Com suas vontades firmes,
com seu jeito de comandar o tempo,
de refazer a lógica das coisas com uma frase curta,
com um gesto que desafia qualquer rotina.
Mas há dias, também,
em que a doçura vem com silêncio,
com os olhos demorados,
com o corpo querendo colo,
não por manha,
mas por memória.
Como se dissesse:
“fica mais um pouco?”
E eu fico,
mesmo quando já fui.
Já não sei se sou chão,
ou apenas sombra que ela visita com sol nos olhos.
Mas sei que algo em mim se refaz,
toda vez que ela chega,
ou quando se vai,
e deixa no ar um traço de eternidade,
feito perfume que não se vê,
mas permanece.
Talvez, noutros mundos,
chamem isso de sorte,
ou destino, ou bênção.
Mas aqui,
neste nosso mundo,
onde o amor tem cheiro de bolo quente e voz de criança,
há nomes que brilham no céu do nosso afeto,
cada um com seu lugar,
seu tempo de acender,
e sua forma de tocar o escuro.
Tudo isso, quando se reúne,
com os olhos do vovô Magno,
a ternura da vovó Diva,
e a memória que fica mesmo depois do abraço,
tem um nome que reconhecemos sem esforço:
constelação.
Mas hoje
é dia de celebrar
um dos nomes que mora em nós,
com a leveza de quem chegou
pra nunca mais sair...
a estrela que hoje mais brilha
nesta constelação de afetos
atende pelo nome de Sophia.