WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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Textos

Sou o que Fica nas Entrelinhas

 

Não sou eu quem falo,
é a palavra que se adianta,
vestida de verso,
pra dizer o que não ouso.

 

Por trás do poema,
não há um poeta,
há um ser que tateia o escuro
com as mãos vazias.

 

A máscara, forma que me veste
quando não sou mais eu,
revela mais que o espelho:
não tem rosto,
mas tem verdade.

 

Há quem pense que escrever é construir,
mas escrever é ceder.
É ceder ao que insiste,
ao que arde quieto
e pede corpo
sem pedir permissão.

 

É mentir com beleza
para dizer, enfim,
a única coisa
que é real.

 

A existência, essa página em branco,
grita no silêncio da dúvida.
E eu, que me finjo palavra,
sou só interrogação disfarçada.

 

O poema é o que sobra
de mim, quando desisto de entender.

 

E se me leem, que não me vejam.
Pois o que digo é só ruído,
o que se esconde nas entrelinhas,
ah, isso sim, sou eu inteiro.

 

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 18/09/2025
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