WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Sou o que Fica nas Entrelinhas
Não sou eu quem falo,
é a palavra que se adianta,
vestida de verso,
pra dizer o que não ouso.
Por trás do poema,
não há um poeta,
há um ser que tateia o escuro
com as mãos vazias.
A máscara, forma que me veste
quando não sou mais eu,
revela mais que o espelho:
não tem rosto,
mas tem verdade.
Há quem pense que escrever é construir,
mas escrever é ceder.
É ceder ao que insiste,
ao que arde quieto
e pede corpo
sem pedir permissão.
É mentir com beleza
para dizer, enfim,
a única coisa
que é real.
A existência, essa página em branco,
grita no silêncio da dúvida.
E eu, que me finjo palavra,
sou só interrogação disfarçada.
O poema é o que sobra
de mim, quando desisto de entender.
E se me leem, que não me vejam.
Pois o que digo é só ruído,
o que se esconde nas entrelinhas,
ah, isso sim, sou eu inteiro.