WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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Acalanto...Ternura...

 

O que entre nós nasceu como um encontro,

desses que parecem aleatórios,

lançados ao acaso, ou, quem sabe, uma distração premeditada do destino,

só se revelou no reencontro.

 

Entre um e outro, entre o toque inicial e o abraço que reconhece,
ficaram sentimentos suspensos,
meias alegrias que não sabiam ainda por quem sorrir,
silêncios com gosto de presságio,
e uma saudade inexplicável de algo que, até então,

não tinha nome nem história.

 

Foi um tempo de espera sem nome,
de ausência preenchida por presenças imaginadas,
de cartas trocadas, que hoje sei, eram de amor,
mesmo sem se declararem assim.

 

Quando a vida já dizia a que veio,
com suas cicatrizes costuradas em silêncio,
e seus dias com gosto de quase,
você chegou.

 

Não como quem invade,
mas como quem retorna ao refúgio

inventado no sonho de mim mesmo,
que esperava por um acalanto.

 

E foi no brilho calmo dos teus gestos,
no silêncio que tua presença preenchia com naturalidade,
que meu coração entendeu o que sempre soube sem saber nomear.

 

E o mundo, de repente, perdeu o volume.
Silenciaram as pressas, os ruídos, os dias iguais.
Foi para que eu visse teu riso como quem enxerga som,
tocasse tua presença como quem sente o cheiro da casa onde a alma mora,
e descobrisse, sem pressa, mas com verdade,
o que é leveza com raiz,
o que é ternura com morada.

 

E a partir dali, entre olhares distraídos e conversas que o mundo não ouve,
me vi inteiro pela primeira vez.

 

Você é essa pausa doce no caos, essa nota que desafina o tédio da vida.

 

E foi a canção, com sua delicadeza quase distraída, quem soube traduzir, sem esforço, o que senti e ainda sinto:

E no meio de tanta gente chata... eu encontrei você...

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 22/09/2025
Alterado em 22/09/2025
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