WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Oração sem palavras
Não me ajoelho por costume,
nem ergo as mãos por obrigação.
Minha oração é esse silêncio
que se forma entre um suspiro e o próximo passo.
Falo com Deus sem liturgia,
quando deixo de fingir força
e me permito ser só
um sopro que ainda crê.
Ele me ouve
quando não peço,
quando apenas estou
como nuvem que não prende o céu,
mas se deixa atravessar pela luz.
Já me curvei ao ouro,
à pressa, ao medo.
Hoje, peço apenas lucidez
para não trair o que é justo
em nome do que brilha.
E se minha esperança
não for maior que esta vida,
como disse o apóstolo,
então tudo é vão.
Mas eu creio no invisível
que sustenta a alma cansada
e chama de lar
o que o mundo chama de fim.
Por isso, oro,
não com palavras,
mas com entrega.
E quando for hora de partir,
que eu me desfaça como a névoa
que entende que já é manhã.