WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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Oração sem palavras

 

Não me ajoelho por costume,
nem ergo as mãos por obrigação.
Minha oração é esse silêncio
que se forma entre um suspiro e o próximo passo. 

 

Falo com Deus sem liturgia,
quando deixo de fingir força
e me permito ser só
um sopro que ainda crê.

 

Ele me ouve
quando não peço,
quando apenas estou
como nuvem que não prende o céu,
mas se deixa atravessar pela luz.

 

Já me curvei ao ouro,
à pressa, ao medo.
Hoje, peço apenas lucidez
para não trair o que é justo
em nome do que brilha.

 

E se minha esperança
não for maior que esta vida,
como disse o apóstolo,
então tudo é vão.
Mas eu creio no invisível
que sustenta a alma cansada
e chama de lar
o que o mundo chama de fim.

 

Por isso, oro,
não com palavras,
mas com entrega.
E quando for hora de partir,
que eu me desfaça como a névoa
que entende que já é manhã.

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 03/10/2025
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