WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Epifania dos Silêncios
Há sismos que não racham o solo,
mas estilhaçam o ser.
Tectônicas de alma movem-se
no escuro íntimo onde o tempo não se mede.
O coração, câmara secreta de exílios,
pulsando enigmas entre a carne e o abismo,
carrega silêncios que pesam mais que palavras,
mais que ossos.
Sob a caixa torácica,
há ruínas de afetos não-ditos,
pedras de angústias arcaicas
e cinzas de esperanças não acesas.
Os olhos alheios veem o corpo ereto,
mas não os desmoronamentos do eu.
O mundo observa a superfície,
é especialista em ignorar naufrágios internos.
Entre costelas e vértebras
residem memórias fossilizadas,
como fósseis de deuses mortos
que um dia habitaram minha fé na inteireza.
Já escavei os subterrâneos de mim
com mãos sangrando de ausência.
Não busco cura,
busco nome para o que não tem forma.
Há em mim um centro imóvel,
um núcleo sepultado sob séculos de silêncio,
que não grita,
mas ecoa.
Não é dor.
É um espanto que se tornou matéria,
uma eternidade que esqueceu de acabar,
um ser que não se desfaz,
porque nasceu apenas como vestígio de um vir-a-ser.
E se o que permanece em silêncio
for justamente o que em nós
mais grita por existir?