WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Se somos poetas,
somos do olhar,
desse que não apenas vê,
mas desvela.
Olhar que atravessa o mundo
com a coragem dos silêncios,
e recolhe em cada canto
a palavra ainda por nascer.
Na vida que é nossa,
mas é também de cada um
que é alcançado pela nossa poesia,
encontramos pouso e primavera:
um habitat perfeito
para o verbo florescer,
feito de afeto,
feito de entrega.
Se hoje chamam-nos poetas,
é porque as palavras nos escolheram antes,
sopraram sentidos,
deram abrigo,
deram nome.
E é por elas que seguimos,
despidos e inteiros,
erguendo o que somos
em versos e em coragem.
Porque poesia, quando é viva,
não se guarda,
se doa.