WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Corpos em Espera
As urgências tomam os cantos do dia,
nos exaurem em tarefas e silêncios,
e fazem rarear os toques.
É assim que a pele sente
a ausência sem partida.
Mas essas pressas,
essas pausas impostas,
não dissolvem teu cheiro
nem desalojam o abrigo
onde meu desejo repousa
em ti.
Não há distância,
há fome.
A pele que falta
não é ausência,
é sede que sabe o nome.
Há corpos
esperando que o tempo
não se perca em afazeres,
mas nos devolva
o direito urgente
de habitar demoradamente o prazer,
com todas as pequenas mortes
que nele
nos fazem renascer.