WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
A Eternidade do Agora
O tempo me veste, ora com os trajes empoeirados do passado, cheios de ecos e cicatrizes; ora com os mantos ansiosos do futuro, costurados de promessas e incertezas. Mas é só quando me desfaço dessas horas ausentes, daquelas que já se perderam na poeira dos dias e daquelas que ainda repousam na bruma do porvir, é que descubro o milagre do agora. Quando largo o peso do que foi e a pressa do que talvez venha a ser, fico nu de tempo, e é nesse despojamento silencioso que, ao me despir das horas que não são esta, descubro o milagre do agora.
Um agora que pulsa, não como um segundo qualquer, mas como um sagrado abrigo onde o tempo repousa, cansado de ser passado e temeroso de ser futuro.
Eu me sento na soleira deste instante como quem se entrega ao silêncio depois de uma longa busca. Nada me rege senão a respiração presente, este sopro que não recorda e não antecipa, apenas é.
O passado? Ah, já não me encarcera. Dele, herdei a memória, mas não as correntes. Perdoo o que fui e, assim, me solto.
O futuro? Não é meu. Apenas o contemplo de longe, sem pressa. Que chegue quando for tempo. Ele que me alcance, se couber em mim.
Aqui, nesta fresta tênue entre o que cessou e o que ainda não se formou, eu sou. Não me antecipo, não me retraio. Sou presença nua, matéria de instante, pele encostada no pulso do agora.
E nesse altar invisível onde o tempo se curva e cala, descubro que existir não é correr, nem temer, é simplesmente permanecer.
Permanecer inteiro onde tudo passa.