WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
Capa Textos Fotos Perfil Livro de Visitas Links
Textos

O Silêncio das Perguntas

 

Confúcio. Foi o primeiro nome de pensador que ouvi na infância, citado com respeito pelo meu saudoso pai, sempre entre um gole de café e um silêncio longo na varanda.

 

Lembro-me de uma frase dele, do próprio Confúcio, que meu pai gostava de repetir, como quem guarda um segredo precioso: "Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas."

 

Talvez tenha sido ali, sem perceber, que começou minha iniciação, não na filosofia, mas no espanto.

 

Sim, no espanto. Essa forma de olhar o mundo como quem acaba de nascer, como quem não entende, mas também não desiste de tentar. Porque espantar-se é o contrário de acostumar-se. E eu nunca me acostumei com o simples fluir das coisas.

 

Eu não me apresso em buscar respostas. Aprendi, com o tempo e com a vida, que a ânsia por certezas costuma silenciar a sabedoria. O que verdadeiramente me inquieta não é o eco de uma solução, mas o silêncio que antecede uma boa pergunta.

 

É nas perguntas que o mundo se desnuda. São elas que abrem frestas na parede do hábito, rachaduras por onde entra a luz. A resposta, muitas vezes, é apenas um ponto final em uma frase mal começada. Já a pergunta, essa sim é semente: germina dúvida, frutifica pensamento, floresce consciência.

 

Não me alimento do que já está pronto. Quero o cru, o incompleto, o ainda não dito. Busco compreender o porquê por trás do porquê. Escavo sentidos sob a superfície dos fatos, e me sento, sem pressa, à beira do abismo entre o que sei e o que ignoro.

 

Há quem tema as perguntas. Eu, não. Aprendi a honrá-las como mestres silenciosos, que não ensinam por imposição, mas por provocação. Perguntas não exigem fé cega, exigem presença. Pedem que se esteja inteiro, atento, disposto a rever caminhos.

 

E assim sigo: mais artesão de dúvidas que colecionador de verdades. Não trago mapas, mas bússolas. Porque compreender as perguntas é, talvez, o mais humano dos atos, e o mais divino também.

 

Respostas podem encerrar um livro. Perguntas, essas, escrevem eternidades.

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 29/11/2025
Comentários