WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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O Amor, Esse Pequeno Infinito

 

Em uma das minhas tantas andanças entre palavras e ideias, encontrei uma frase que me alcançou feito um sussurro de estrela: “Para pequenas criaturas como nós, a vastidão é suportável apenas por meio do amor.” Carl Sagan, aquele que passou a vida decifrando os segredos do universo, com os olhos voltados ao céu e o coração atento ao que faz a vida valer a pena aqui na Terra.

E ali, entre ciência e poesia, senti que o amor é mais do que um sentimento: é uma linguagem secreta que costura o universo e os nossos corações frágeis.

Sim, somos pequenos. Somos como poeira em suspensão, dançando entre o silêncio do céu e as incertezas da Terra. Passamos por esta vida como um sopro, às vezes como quem apenas atravessa, outras como quem deseja ficar. E mesmo com o peso do mundo nos ombros, ainda assim, amamos. Ainda assim, buscamos.

Buscamos esse amor que nos sustenta, mesmo sem saber nomeá-lo. Às vezes, o procuramos em olhares, em toques, em promessas. Outras vezes, nos perdemos em versões distorcidas do que imaginamos ser amor, confundindo com posse, dependência ou urgência.

Mas o amor de verdade, aquele que carrega alma e silêncio, aquele que tem o sabor da eternidade, não se resume ao que se vê. Ele pulsa onde há paciência, onde há cuidado, onde há verdade. Ele pode morar no encontro de dois corpos, sim, e isso também é sagrado. Mas também se revela no perdão silencioso, no acolhimento que não exige explicações, na companhia que permanece mesmo quando as palavras faltam.

E me lembro, como eco suave das Escrituras, que o amor é paciente, é benigno. Ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Não por ser cego, mas por ver além. Por compreender que amar é caminhar junto, mesmo quando o caminho é incerto.

Talvez o que nos falte não seja amor, mas o entendimento de como amamos. Porque no fundo, todos nós buscamos isso. O amor é o que nos move, ainda que às vezes escolhamos caminhos tortos. Não fugimos dele, buscamos, só que nem sempre do jeito certo. Procuramos em ruídos o que só nasce no silêncio. Esperamos em outros o que ainda não construímos em nós.

O amor que suporta os abismos e ainda floresce, esse existe. Ele não se impõe. Ele não grita. Ele permanece. É esse amor que nos torna suportáveis diante da vastidão. Que nos ergue quando tudo parece perder o sentido. Que nos torna humanos e, de certo modo, divinos também.

E talvez seja por isso que, entre tantos que tentaram decifrar o universo, coube justamente a Carl Sagan, homem das galáxias, do pensamento científico e das distâncias inatingíveis, a clareza de reconhecer que, no centro de tudo, o amor é a única força verdadeiramente capaz de nos manter inteiros. Ele, que enxergava nebulosas com a mesma reverência com que falava da vida, foi quem trouxe para o mesmo céu a razão e a sensibilidade, unindo ciência e afeto, infinitude e presença. Porque compreendeu, com o brilho raro dos que veem além, que o amor não é oposto ao cosmos, mas seu abrigo mais íntimo.

Amar, no fim das contas, é o mais corajoso dos gestos. E talvez o único capaz de nos fazer sentir, mesmo sendo tão pequenos, infinitamente grandes.

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 29/11/2025
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