WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Presença Invisível
Não estou onde tocam meus olhos,
mas onde meu afeto repousa.
Sou o silêncio entre as batidas do relógio,
a lembrança viva no intervalo dos dias.
Enquanto a noite recolhe os ruídos do mundo,
meu coração caminha até você.
Cruza distâncias quietas, atravessa o tempo,
e pousa leve, onde repousa teu nome.
Acendo faróis no escuro que te cerca,
luzes pequenas, mas feitas de ternura.
São sinais que não piscam nos mapas,
mas brilham onde só o afeto enxerga.
Há gestos que não precisam de mãos,
há abraços que moram no ar ao teu redor.
Minha vigília é leve,
mas firme como quem segura o tempo por dentro.
Cuido de ti no que não se vê:
na calma inesperada,
na brisa que alivia,
no suspiro que chega sem razão aparente.
E mesmo longe,
sou o instante em que o mundo se torna um pouco mais suave.
Sou o eco de um “estou aqui”
que não se desfaz com a distância,
nem precisa de som para ser ouvido.