WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Minha Mensagem de Natal: Amar Como Ele Amou
No silêncio das madrugadas de dezembro, há um nome que paira no ar como um sussurro antigo. Um nome que é sagrado nos templos, proclamado nos púlpitos, repetido em canções, impresso em livros e, tantas vezes, ausente das escolhas mais simples.
Nasceu numa estrebaria, entre a poeira do chão e o cheiro de feno. Não por acaso, mas por escolha. Um Deus que não veio em glória visível, mas em vulnerabilidade, para caminhar entre nós.
Multidões incontáveis ao redor do mundo se recordam d’Ele nesta época. Para muitos, Ele é o Filho de Deus, Redentor e esperança. Para outros, um mestre histórico, um judeu do primeiro século cujas palavras atravessaram os séculos. Há quem O siga, quem O questione, quem O utilize como discurso, mesmo sem nunca tocar o seu exemplo.
Mas a verdade permanece: ninguém deixou marcas tão profundas na história humana quanto Ele.
No dia 25 de dezembro, em muitos lugares, as luzes se acendem, as mesas se enchem, os rituais se repetem.
E ainda assim, a pergunta ecoa: onde está o aniversariante?
Porque há o Jesus proclamado nas catedrais, nos altares, nos palanques da fé institucionalizada.
E há o Jesus dos caminhos empoeirados, da poeira dos pés, da compaixão sem plateia.
Esse é o Jesus que pouco se vê nos palácios religiosos.
O que se ajoelhou diante da mulher adúltera e não a apedrejou.
O que devolveu a dignidade ao paralítico com um simples “levanta-te e anda”.
O que viu o cego à margem da estrada e o tratou com ternura, não com pena.
O que tocou leprosos. Sentou-se com cobradores de impostos. Perdoou traidores.
O Jesus que, mesmo sendo o próprio Deus, lavou pés como servo.
Não pediu templos. Pediu amor.
Não exigiu sacrifícios. Viveu o maior deles.
Não criou doutrinas. Plantou misericórdias.
E então Ele disse:
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”
Mas essa frase não é um consolo, é um desafio.
Porque, se alguém se reconhece amado por Ele, amado mesmo em suas quedas, em seus silêncios, em suas incoerências, resta a pergunta inevitável: estaria disposto a amar assim também?
Foi desse amor que Ele viveu.
Um amor que se aproxima sem garantias.
Que perdoa antes da mudança.
Que toca antes do merecimento.
Que permanece quando seria mais fácil atravessar para o outro lado da rua.
Quantos templos cheios…
e quantas calçadas vazias de compaixão.
E nelas estão os invisíveis, os cansados, os que tropeçaram na vida, os que erraram demais, os que carregam culpas que ninguém quer ouvir.
Foi ali que Ele parou.
Foi ali que Ele se inclinou.
Foi ali que o Reino começou a acontecer.
Talvez, neste Natal, Ele não espere grandes declarações.
Talvez espere apenas que o amor que recebeu voz nos sermões encontre corpo nas relações mais próximas, nas escolhas pequenas, nos gestos que ninguém fotografa.
Porque o maior presente que podemos oferecer ao mundo não é um discurso melhor sobre Jesus, é uma vida que se pareça com a d’Ele.
E esse mundo... raramente está longe, muitas vezes mora ao lado, no olhar que evitamos, no gesto que adiamos.
Essa é a minha mensagem de Natal.
A quem me lê.
A quem caminha ao meu lado.
Aos que me cercam no dia a dia, e aos que, mesmo de longe, de alguma maneira sabem quem sou.
Não digo como quem já aprendeu a amar como Ele amou.
Ainda tropeço no ego, no orgulho, no silêncio onde deveria haver gesto.
Mas a sua vida, o seu modo de estar no mundo,
me impacta profundamente.
E me convida, todos os dias, a ser um perseguidor desse momento sagrado
em que eu possa, com verdade, dizer:
“Eu amo… como Ele amou.”
Esse é o meu ‘Feliz Natal’ pra você.
Com tudo o que carrego, com tudo o que ainda não consigo ser,
mas com a verdade do que realmente desejo:
Que Ele não seja apenas lembrado,
mas vivido e, quem sabe, reencontrado
nos gestos mais simples, nas escolhas mais reais.
Que essa mensagem nos alcance, a mim e a você,
com o desejo sincero de amar, já agora,
quem está perto ou longe, quem nos fere, quem esquecemos, quem precisa,
como Ele amou.