WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Quando o Futuro Encolhe
Contei meus anos, e foi como olhar para um espelho que não mente.
Descobri, com um sussurro da alma, que o tempo que me resta é menor do que o tempo que já vivi.
Há mais estrada atrás de mim do que diante.
Mais memórias do que planos.
Mais retratos do que rascunhos.
Tenho, enfim, muito mais passado do que futuro.
E longe de ser um lamento, isso é claridade.
É como se a vida, em sua infinita sabedoria, estivesse me ensinando a olhar para o que realmente importa.
Porque quando percebemos que o tempo já não se derrama em excesso, começamos a usá-lo com reverência.
Deixamos de lado o que pesa, o que fere, o que ocupa sem sentido.
Já não corro atrás de aplausos, nem me demoro em explicações.
Não quero mais vencer debates vazios, nem sustentar máscaras para agradar o mundo.
A maturidade me trouxe esse dom raro: o de escolher onde pousar a alma.
E eu escolho o simples.
O essencial.
O que não se compra, o que não se mede, o que não se perde com o tempo.
Quero os afetos sinceros, os silêncios que confortam, os encontros que não exigem esforço.
Quero a leveza de ser quem sou, sem moldes, sem pressa, sem medo.
Não tenho mais tempo a perder com o que não me toca.
Não tenho mais espaço para superficialidades, para ruídos disfarçados de convívio.
A vida, agora, é feita de essência.
E essência é tudo aquilo que permanece quando o supérfluo vai embora.
Talvez seja isso, no fim:
a grande beleza de envelhecer não está em resistir ao tempo,
mas em dançar com ele.
Em entender que cada dia a menos é, na verdade, um dia a mais de lucidez.
E que a vida, quando resta pouca, se torna muito.