WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Hiato
Drummond escreveu, com a sabedoria dos que olham o mundo por dentro: “a vida necessita de pausas.”
E hoje venho aqui compartilhar que viverei vinte dias de recolhimento, de hiato, um breve afastamento das rotas da escrita, não por silêncio interior, mas porque outras urgências, daquelas que a vida impõe com sua delicada firmeza, vão requerer muito do meu tempo. Por isso, durante esse intervalo, não me reunirei com as minhas mais fiéis amigas: as palavras.
Elas ficarão à minha espera, silenciosas, mas pulsando em mim, como fazem as coisas que amamos e que sabem o momento certo de florescer novamente.
Deixo, antes dessa pausa, o fruto de uma caminhada que iniciei aqui no Recanto das Letras, no último dia de julho do ano passado. Dessa jornada brotaram mais de 10.000 olhares lançados sobre 161 partilhas, entre prosas, crônicas, poemas e outros gestos escritos. Alguns desses escritos são antigos, resgatados com afeto do tempo; outros nasceram ao longo desta caminhada, forjados no calor dos dias. Todos, sem exceção, foram ofertados com simplicidade e verdade, com o desejo sincero de tocar e ser tocado.
Apreciaria imensamente que os companheiros de palavras, os que escrevem, os que leem, os que deixam vozes ou apenas olhares, pudessem continuar passeando por essas páginas durante meu breve hiato aqui neste Recanto das Letras, esse jardim fértil de sentidos.
Cada visita é como brisa sobre o fogo sagrado que arde em quem ama o que nasce da união das palavras. Cada leitura é uma oferenda à arte. E em cada comentário, há a partilha que tanto me enriquece como alguém que não vive sem a poesia do mundo.
E quando o calendário marcar neste mês o dia 25,
retornarei, como quem vira a página,
trazendo nas mãos novas palavras
e no peito, a alegria de reencontrar este chão fértil de sentimentos,
onde o papel, ou aquilo que, nestes tempos digitais, o substitui,
ainda acolhe a poesia com a mesma ternura.
Voltarei à companhia dos recantistas,
que fazem deste espaço mais que um abrigo de letras:
fazem dele um lar de almas que escrevem e se reconhecem.
Inicio o meu hiato, seguindo alimentado pelo desejo de um ano bom,
um ano que nos ofereça folhas em branco, tintas abundantes e silêncios férteis.
Que venha com pontuações de alento, vírgulas de pausa consciente, travessões que abram espaço ao inesperado, e reticências onde for preciso continuar sonhando.
Que não nos faltem parágrafos de esperança, versos de ternura e títulos que abracem novos começos.
Que seja, para mim e para todos que leem, que escrevem, que sentem,
um ano literário da alma.
Um tempo em que sejamos leitores atentos da vida,
e autores corajosos de nós mesmos.