WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Samuel, meu neto:
Hoje, tentando compreender a grandeza desses oito anos que são nossos, percebi algo essencial: embora o tempo siga seu curso para todos, existe uma parte dele que é exclusivamente nossa, construída nos encontros, nas conversas, nos silêncios compartilhados, nos pequenos gestos que só nós dois vivemos. E foi diante desse tempo que nos pertence de um jeito único, que eu parei, não apenas para contá-lo, mas para senti-lo.
Percebi que ele já se escreveu em 2.922 dias, em 70.128 horas, em 4.207.680 minutos, em 252.460.800 segundos… e, ainda assim, nenhuma dessas medidas consegue alcançar o que realmente existe entre nós. Porque o que vivemos até aqui não cabe em números. Os números apenas tentam, com toda a sua precisão, tocar algo que é, por natureza, infinito.
Eu sei que com o passar do tempo você alcançará entendimentos que hoje ainda se formam em silêncio. Perceberá que os números não existem isolados, mas dialogam com outras formas de compreender a vida, revelando que medir o tempo é também tentar entender o próprio existir.
Nesse caminho, você inevitavelmente encontrará Albert Einstein, um dos maiores pensadores da humanidade, e conhecerá o seu pensamento de que “a matemática pura é, à sua maneira, a poesia das ideias lógicas”. Quando isso acontecer, essas palavras talvez ecoem de um jeito diferente, e você compreenderá, como eu compreendi, que nunca a lógica esteve tão próxima da emoção quanto quando tentei traduzir, em números, aquilo que sinto por você.
Por isso, quando essas minhas palavras puderem verdadeiramente te alcançar, não apenas como leitura, mas como compreensão do sentido que hoje tento dar a elas, muitos outros dias, horas, minutos e segundos já terão se somado aos nossos de agora. A nossa matemática terá crescido, expandido, se multiplicado em direções que hoje sequer conseguimos calcular.
Porque as palavras permanecem e, quando enfim forem plenamente compreendidas por você, carregarão intacto tudo aquilo que o tempo não conseguiu limitar.
E elas dirão, por mim, tudo aquilo que o tempo se esforçou para revelar: que você é, entre tantas fontes de alegria que a vida me deu, uma das presenças que mais iluminam os meus dias, a luz que continua nascendo em cada uma das minhas manhãs, o sentido que dá valor às minhas esperas, a presença que transforma o simples em essencial, o orgulho que cresce em silêncio, a ternura que permanece, o riso que ecoa, e o amor que não conhece medida, nem no agora, nem no depois.
E mesmo quando vier o amanhã que começará a ser contado depois do meu ontem, quando minha presença já não puder ser somada aos seus dias, ainda assim estarei, de algum modo, inscrito naquilo que você se tornar, porque há encontros na vida que não substituem outros, mas se somam a eles, ampliando tudo o que já fomos e tudo o que ainda somos capazes de ser.
Quando você compreender o poder destes números, destes e de todos aqueles que ainda se somarão a eles, perceberá que contar nunca foi apenas medir o tempo, mas reconhecer o valor de cada instante vivido.
Por isso, viva com consciência do tempo e daquilo que ele constrói. Some experiências com coragem, multiplique afetos com generosidade, divida o que for bom com quem estiver ao seu lado, e aprenda que a matemática e o coração não são opostos, eles se encontram. Porque há uma lógica no amor, uma precisão nos sentimentos verdadeiros, e uma espécie de infinito que só se revela quando números e emoções caminham juntos.
Hoje, ao marcar oito anos desde o início da nossa contagem, percebo que não celebro apenas o tempo, celebro a grandeza dele, traduzida em você.
Com todo o amor que cabe em infinitos,
Seu avô, Magno.