WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Somos Feitos de Nós
Se por acaso alguém deixar de acreditar,
Se o mundo lá fora endurecer seu olhar,
Há um lar onde o tempo desacelera,
E o amor ainda floresce… manso, inteiro, à espera.
Ali, cada passo carrega uma história,
De quedas que não viraram derrota, mas memória.
Tem criança que tropeça, chora, insiste em tentar,
E aprende, entre braços, o milagre de se levantar.
Tem quem, em silêncio, já quase perdeu as forças,
Mas encontra, no toque do outro, novas rotas.
Um abraço que não interrompe para julgar ou corrigir,
Antes, acolhe a dor… e só depois ensina a seguir.
Nessa família, a alegria não é só de quem sorri,
Ela ecoa em todos, faz cada um florir.
E a dor, quando chega, não bate em uma só porta,
Ela entra em todos… e em todos se transforma.
Porque ali ninguém sofre sozinho,
Ninguém caminha sem ter um caminho.
Se um fraqueja, o outro levanta,
Se um silencia, o outro canta.
E mesmo quando falta quase tudo,
Ainda sobra o essencial, profundo:
Um olhar que entende, uma mão que fica,
Um amor que não se explica… se vive, se dedica.
É força que nasce do simples, do imperfeito,
De quem aprendeu que amar é ficar, mesmo sem jeito.
É resistir quando o mundo desmorona ao redor,
É ser abrigo… quando até a alma parece em nó.
Porque ali há uma família que aprendeu, não com palavras, mas com a vida,
Que amar é permanecer, mesmo quando tudo convida à partida.
É escolher, todos os dias, não soltar a mão,
Mesmo quando o peito atravessa tempestades em silêncio.
Ali, o sangue não é só herança, é encontro, é corrente que se une,
Correntes sanguíneas que se transformam em correntes de cuidado que fluem.
Há os que, juntos, geraram novos começos, novas vidas,
E há os que vieram de outros caminhos…
E ali tiveram e se tornaram abrigo, família.
Porque ali não há partes soltas, são feitos de “nós”,
E é desse “nós” que a vida floresce, que o amor ganha voz.
Um “nós” que acolhe, que sustenta, que refaz e constrói,
Onde ninguém se perde, ninguém fica só… ninguém fica depois.
E essa família, feita de quedas e recomeços,
De lágrimas que viram aprendizado, de silêncios que viram conversa,
De dores que encontram descanso, de medos que cedem espaço à coragem,
De distâncias que ensinam o valor do reencontro, de ausências que se tornam presença em saudade que abraça…
Mas também de pequenas alegrias que não cabem em si
E transbordam, crescem, se tornam felicidade partilhada,
De risos simples que viram memória eterna,
De instantes breves que se tornam tudo.
De gestos pequenos que carregam imensidão,
De dias comuns que florescem em celebração,
De olhares que dizem tudo sem precisar falar…
De lágrimas divididas e abraços imensos,
De vidas entrelaçadas no mesmo sentimento...
Essa família que transforma tudo em união,
É a minha...
E nela, somos feitos de “nós”.