WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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Quem é a presença que a beleza desperta em você?

 

Nessa noite de domingo, o último de abril, me vi refletindo sobre o que seria a beleza… essa palavra tão repetida, tão invocada, tão procurada em silêncios e excessos, tão presente nas conversas e, ainda assim, tão difícil de definir.

 

A beleza talvez seja uma das poucas coisas que atravessam o tempo sem perder o mistério. Ela não envelhece, apenas muda de lugar. Às vezes aparece no que é grandioso; outras, se esconde no que quase ninguém percebe. Há beleza no extraordinário, mas também naquilo que permanece discreto, esperando apenas um olhar atento.

 

Mas não me refiro aqui à beleza estética, porque essa se molda aos critérios, aos gostos, às expectativas e às formas particulares com que cada um escolhe enxergar o outro. Essa beleza varia conforme os olhos, as histórias, os desejos e as ausências de quem observa.

 

Refiro-me à beleza da vida.

 

À beleza que mora nos lugares, nos momentos, nas pequenas interrupções do cotidiano. Aquela que não pede perfeição. A beleza de um fim de tarde que parece durar mais do que deveria. De uma rua silenciosa depois da chuva. Do cheiro de café atravessando a casa. Do vento entrando pela janela como quem visita antigas lembranças.

 

Existe uma beleza que não está nas coisas em si, mas no que elas despertam.

 

Porque um lugar só se torna verdadeiramente belo quando toca algo dentro de nós. Uma paisagem não é apenas aquilo que vemos, é aquilo que sentimos enquanto olhamos. O mundo talvez esteja cheio de coisas bonitas, mas apenas algumas conseguem nos atravessar.

 

E quando isso acontece, algo curioso surge.

 

Quase nunca queremos guardar a beleza apenas para nós.

 

Há uma espécie de urgência silenciosa em compartilhar o encanto. Como se aquilo que é belo demais precisasse de outro olhar para existir por completo. Você vê um pôr do sol e pensa que alguém deveria estar ali. Escuta uma música e imediatamente imagina quem entenderia aquela melodia. Assiste a um filme e sente vontade de dizer: “você precisa ver isso”.

 

Talvez porque a beleza não seja feita para a solidão. Talvez porque o encanto verdadeiro não termine em quem contempla.

A beleza parece transbordar. Ela não cabe inteira dentro de um único coração. E então percebemos que existem pessoas que passam a habitar nossa percepção do mundo. Pessoas que se tornam presença mesmo quando estão longe. Pessoas que, de alguma forma, começam a participar silenciosamente de tudo aquilo que nos emociona.

 

Mas porque certas presenças deixam de ser apenas lembrança e passam a ser lente. Elas moldam a forma como vemos as coisas. Tornam-se companhia invisível nos instantes mais delicados da vida.

 

Algumas pessoas não vivem apenas dentro da nossa memória. Elas vivem dentro da nossa capacidade de reconhecer o belo.

 

E talvez seja isso que acontece quando alguém ocupa um lugar raro dentro de nós: o mundo deixa de ser apenas visto e passa a ser compartilhado, ainda que em pensamento.

 

Há paisagens que parecem esperar um nome.

 

Há momentos que parecem incompletos até serem imaginados ao lado de alguém.

 

E talvez a beleza seja exatamente isso: aquilo que não conseguimos contemplar sozinhos. Aquilo que, diante da imensidão, nos faz pensar imediatamente em quem deveria estar ali.

 

Porque quando algo realmente toca a alma, não pensamos apenas “como isso é bonito”. Pensamos: “quem eu gostaria que estivesse vendo isso comigo?”

 

E talvez seja nessa resposta silenciosa que mora a verdade. Porque no fundo, quando a vida se torna bela demais, ela sempre chama alguém pelo nome.

 

E eu, que agora escrevo sobre a beleza, percebo que esse nome, para mim, é Diva. Minha Diva.

 

Quem é a presença que a beleza desperta em você?

 

Não como quem ocupa apenas um lugar na lembrança, mas como quem passou a habitar os significados. Porque existem pessoas que não apenas caminham ao nosso lado, elas se tornam medida de encanto, referência de ternura, presença que completa aquilo que os olhos encontram e o coração não consegue guardar sozinho.

 

Há belezas que só fazem sentido quando imaginadas através de alguém.

 

E é por isso que certos lugares parecem pedir sua chegada, certos momentos parecem aguardar sua existência, e certas emoções só encontram repouso quando podem ser divididas.

 

Talvez amar alguém seja também isso: permitir que ela participe silenciosamente de tudo aquilo que nos toca. Porque desde que algumas pessoas entram em nós, nunca mais olhamos o mundo da mesma maneira.

 

E se hoje me perguntassem o que é a beleza, eu já não buscaria definições difíceis, nem respostas filosóficas demais. Eu diria apenas, com a serenidade de quem finalmente compreendeu: beleza é tudo aquilo que eu não dou conta de ver sozinho.

 

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 26/04/2026
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