WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
ELA
Em ti florescem jardins esquecidos e luas claras sobre antigos rios.
Teus olhos têm a doçura das manhãs que Deus talvez guardasse para os anjos.
Quando caminhas, o tempo se curva como se o mundo aprendesse harmonia.
Há música viva em teus gestos leves e um perfume de rosa adormecida.
Eu, que li mitos, impérios, poemas
e eternidades, jamais encontrei em nenhuma história
a expressão de beleza que floresce em ti.
Em outros séculos, talvez tivesses sido a beleza sonhada por Helena,
o verso mais secreto de Lesbos,
a estrela capaz de guiar reis e poetas pelos caminhos dourados do desejo.
Bizâncio te daria suas joias.
Salomão perderia os próprios templos por um instante apenas do teu riso.
E Roma esqueceria suas glórias
para ver teus cabelos ao vento.
Tens qualquer coisa de mar e primavera: serena imensidão, perfume e brilho.
Em tua voz há pássaros distantes
e tardes azuis se desfazendo devagar.
Florbela te escreveria em silêncio,
com as mãos cheias de lírios e saudade.
E Neruda faria do teu corpo
uma pátria de vinho e eternidade.
Mas nenhuma palavra desses velhos poetas
te alcançaria por inteiro.
Porque há em ti algo dessas mulheres impossíveis
que parecem nascer da própria luz.
E eu te amo assim,
como quem escuta no escuro aquela canção antiga que tanto gostas: Nothing.
Essa canção que sem perceber, me ensinaste a ouvir com o coração.
E nela deixei espalhados alguns versos,
como pequenas luzes entre as palavras,
para compor este poema que fiz para ti.
Porque desde que chegaste,
o amor deixou de parecer distante ou impossível;
tornou-se simples, inteiro, inevitável.
We don't need nothing more…
como se tua presença bastasse
para preencher os vazios que o mundo inventa.
I'll want you more…
porque há em mim uma ternura crescente,
dessas que o tempo não enfraquece,
apenas aprofunda.
Until we end up in a heap on the floor…
até sermos apenas nós dois,
entre o riso, o abraço e o silêncio,
desfeitos um no outro
como se o amor nos despisse de tudo aquilo que não importa.
Porque, no fim, depois de tantos endereços que nos albergaram,
de tantas cidades, quartos, janelas e caminhos atravessados,
o verdadeiro lugar nunca foi um espaço no mundo,
mas o instante em que tua alma encontra a minha.
E talvez seja isso o amor:
descobrir que existe um lar que habita em nós,
um abrigo silencioso que levamos para onde quer que vamos,
e de onde todos os outros lugares passam enfim a nascer.