WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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As Fortunas que Não Aparecem na Forbes

 

Às vezes, não é a revolta que nos afasta das respostas, mas o desassossego. Hoje, em uma conversa com uma amiga muito especial, percebi nela uma inquietação sincera diante de uma pergunta antiga como a própria humanidade: por que Deus parece reservar tamanha prosperidade para alguns, enquanto tantos outros enfrentam a vida colecionando ausências? O pano de fundo da reflexão era a fortuna de Elon Musk. À primeira vista, os números impressionam. E é natural que impressionem. Bilhões têm o estranho poder de nos fazer acreditar que traduzem a medida da bênção.

 

Mas desafiei minha amiga a olhar além dos algarismos.

 

Contei-lhe que, em muitos momentos da minha vida, a graça de Deus não se manifestou em cifras depositadas em uma conta bancária. Ela apareceu em livramentos que só compreendi anos depois. Outros, talvez, jamais conhecerei, porque aprendi que Deus também age no silêncio, naquilo que nunca aconteceu justamente porque Sua mão impediu. Há milagres que não fazem barulho.

 

Então voltamos a Elon Musk.

 

É verdade que poucos homens acumularam tanto patrimônio quanto ele. Mas também é verdade que sua trajetória está longe de ser uma sucessão ininterrupta de vitórias. Antes de transformar a SpaceX em referência mundial, viu três lançamentos consecutivos fracassarem e esteve a um passo da falência. A Tesla atravessou crises profundas, quase sucumbiu, enfrentou problemas de produção, críticas severas e ainda hoje convive com desafios que colocam à prova suas escolhas. O Cybertruck, cercado de expectativas, encontrou uma recepção muito menos triunfal do que se imaginava. A aquisição do antigo Twitter, rebatizado de X, converteu-se, para muitos, em um dos investimentos mais controversos de sua carreira.

 

Percebi, então, que até mesmo aquele que parece possuir tudo conhece derrotas, incertezas, perdas e noites insones. O dinheiro não revoga a condição humana; apenas muda o cenário onde ela se revela.

 

Mas foi quando a conversa deixou o mundo dos negócios que tudo ganhou outra dimensão.

 

Lembrei minha amiga de uma riqueza infinitamente mais rara.

 

É público que Elon Musk vive uma relação profundamente conturbada com uma de suas filhas, marcada por distanciamento e rompimento. Nenhuma fortuna conhecida foi capaz de comprar de volta essa intimidade.

 

Minha amiga, ao contrário, acabara de viver um dos dias mais belos de sua vida: conduziu a filha ao casamento, numa celebração repleta de afeto, lágrimas e gratidão. Mais do que isso, contou-me, quase sem perceber a grandeza do que dizia, que a filha continua procurando seu colo para compartilhar confidências, medos, alegrias e segredos que só se entregam a quem inspira absoluta confiança.

 

Naquele instante, os bilhões perderam o brilho.

 

Que patrimônio seria capaz de comprar a confiança de um filho? Qual mercado negocia abraços sinceros? Em que bolsa se cotam o respeito, a admiração, a paz de voltar para casa sabendo que quem você ama também gosta de estar ali?

 

Naquele instante fui testemunha do nascimento, nela, de uma certeza que Deus já vinha lapidando em mim há muito tempo: somos extraordinariamente ricos.

 

Ricos porque temos pessoas que caminham ao nosso lado por amor, e não por interesse. Ricos porque experimentamos afetos que não conhecem cotação. Ricos porque aprendemos que a escassez de amigos nunca é pobreza quando os poucos que permanecem são aqueles que Deus escolheu para dividir conosco o peso da caminhada e a alegria da chegada. Ricos porque, mesmo vivendo dias difíceis, trabalhando entre desafios, metas, vitórias e tropeços, ainda encontramos motivos para sorrir, agradecer e descansar.

 

Eu lhe disse, com toda a sinceridade de que fui capaz, que, se alguém me oferecesse uma escolha entre todos os bilhões de Elon Musk e a vida que Deus me concedeu ao lado dos meus, eu não hesitaria por um segundo. Ficaria exatamente onde estou. Porque não existe fortuna que pague o privilégio de amar e ser amado.

 

Ao final da conversa, minha amiga me disse que encontrar-me naquele dia havia sido um presente; que precisava ouvir exatamente aquelas palavras.

 

Sorri.

 

Talvez porque, naquele momento, percebi que Deus havia respondido à inquietação dela sem acrescentar um único centavo ao saldo bancário de ninguém.

 

Despedi-me lembrando uma frase de Jesus Cristo que sempre encontrou morada no meu coração:

 

"Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração."

 

Foi impossível não perceber que o coração dela repousa sobre tesouros que o dinheiro jamais poderá adquirir. E o meu também.

 

No fim das contas, penso que Deus nunca tenha sido injusto na distribuição das riquezas. Talvez apenas tenhamos insistido em chamar de riqueza aquilo que sempre foi apenas dinheiro.

 

Porque existem fortunas que cabem em extratos bancários.

 

Mas existem outras que cabem num abraço de um filho, numa conversa inesperada entre amigos, numa família reunida, num livramento invisível, numa oração silenciosa respondida sem alarde.

 

Essas não aparecem nas listas da Forbes.

 

Aparecem apenas no olhar de quem, um dia, descobre que foi amado por Deus de maneiras que nenhum banco seria capaz de contabilizar.

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 22/07/2026
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