WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
Minha filha,
eu descobri com você
que o amor também precisa aprender a distância.
Primeiro, vi você soltar a minha mão
para atravessar sozinha a rua.
Depois, vi você escolher seus caminhos,
seus sonhos, seus amores, suas cidades,
sua própria maneira de existir.
E eu, que um dia carreguei você nos braços,
precisei aprender a carregá-la de outro modo: dentro de mim.
Talvez essa tenha sido
uma das lições mais bonitas e mais difíceis
que você me ensinou: amar você não é impedir a sua partida.
É continuar sendo porto
quando você precisa conhecer outros mares.
É permanecer na margem, com ternura,
mesmo quando tudo o que eu queria
era ter você outra vez ao alcance do meu abraço.
Hoje, a distância entre nós
pode ser contada em estradas, cidades, horas...
Eu prefiro contá-la em saudade.
Na lembrança que chega sem avisar.
Num sorriso seu que me visita de repente.
Num domingo mais silencioso.
Na vontade simples, e imensa,
de ter você perto de mim.
E hoje você faz 21 anos.
Eu olho para o tempo
e ainda me pergunto em que instante
aquela menina que segurava a minha mão
se tornou essa mulher
que agora segura a própria vida.
Talvez ser seu pai seja isso:
ter passado alguns anos
ensinando você a caminhar
e passar o resto da minha vida
aprendendo a vê-la seguir.
Então siga, minha filha.
Conheça seus mares.
Escolha seus caminhos.
Invente a sua vida.
Seja dona dos seus sonhos.
Eu continuarei aqui,
com esse amor sereno, profundo e infinito
de quem um dia teve você inteira nos braços
e hoje precisa fechar os olhos
para abraçá-la.
E, entre tudo o que o tempo levou
e tudo o que a vida ainda vai trazer,
há uma certeza que guardo comigo:
há 21 anos, você chegou à minha vida.
E, desde então, nunca mais existiu em mim
um lugar onde você não estivesse.
Feliz 21 anos, minha filha.
Eu amo você
com todo o amor que coube em mim
depois que você nasceu.