WITTEMBERGUE MAGNO RIBEIRO, MAGNO RIBEIRO
MAGNO RIBEIRO
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente
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O SIM QUE NOS NEGA, O NÃO QUE NOS AFIRMA

Uma reflexão sobre a liberdade e os destinos que não vivemos

 

 

O SIM e o NÃO, não são propriamente contrários. São duas expressões de uma mesma liberdade. O SIM acolhe o que o NÃO rejeita; o NÃO preserva o que o SIM, por vezes, entrega. E ambos tanto podem nos aproximar de nós mesmos quanto nos afastar daquilo que verdadeiramente somos.

 

Há um estranho paradoxo em toda escolha: ao dizer SIM, entregamos ao NÃO as possibilidades que abandonamos; ao dizer NÃO, preservamos para o SIM os caminhos que permanecem abertos. Um não elimina o outro; apenas o desloca para o território invisível daquilo que poderia ter sido. Escolher é também renunciar, sem jamais conhecer inteiramente o valor daquilo a que renunciamos.

 

Nem sempre, porém, sabemos qual deles nos representa. Há um SIM que nasce do medo e um NÃO que brota da coragem; assim como há recusas covardes e consentimentos extraordinariamente corajosos. Nenhuma dessas palavras carrega, por si, uma virtude. Seu verdadeiro significado reside na consciência, ou na ausência dela, de quem as pronuncia.

 

E somos nós, com nossas certezas provisórias e nossa limitada compreensão do amanhã, que precisamos decidir. Não raro, dizemos SIM quando deveríamos dizer NÃO, ou recusamos justamente aquilo que merecia nossa aceitação. A ironia é que somente depois de escolher adquirimos parte da sabedoria que talvez nos permitisse escolher de outro modo. A experiência frequentemente nos esclarece quando já não pode devolver-nos a oportunidade.

 

O SIM precisa do NÃO para não se transformar em submissão; o NÃO precisa do SIM para não se converter em isolamento. Um nos ensina a acolher a vida; o outro, a preservar aquilo que nela não podemos perder. A sabedoria não está em afirmar ou recusar, mas em compreender que toda escolha nos torna responsáveis tanto pelo que permitimos acontecer quanto pelo que impedimos de existir.

 

Talvez o mais profundo paradoxo esteja no fato de que, ao escolhermos, acreditamos determinar os caminhos da vida, sem perceber que nossas escolhas também determinam quem nos tornamos. Somos autores de nossas decisões, mas igualmente transformados por elas. E jamais saberemos quem teríamos sido se nossos sins fossem nãos, ou nossos nãos tivessem sido sins.

 

Afinal, a liberdade nos concede o poder de escolher, mas nos nega o privilégio de conhecer antecipadamente tudo o que nossas escolhas farão de nós. E, entre o SIM que pronunciamos e o NÃO que silenciamos, permanece não apenas a vida que construímos, mas o mistério de todas aquelas que, por nossa própria liberdade, jamais chegaremos a viver. Porque o SIM e o NÃO, não encerram apenas decisões: inauguram consequências.

MAGNO RIBEIRO
Enviado por MAGNO RIBEIRO em 07/11/2026
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